Migrações Interplanetárias
Demonstrando compreender o que se passava, ele me convidou para acompanhá-lo e, diante do meu consentimento, de pronto nos achamos em sua chalana.
Num tempo, que me pareceu ser de poucos minutos, achamo-nos nas margens do lago Titicaca, cujas águas tinham a cor cinzenta da madrugada fria.
Abrindo os braços, num gesto que parecia abarcar todo o Universo, Amanto me disse:
- Eis aqui, Neiva, o berço e o túmulo de uma grande civilização. Aqui foram jogadas duas grandes tribos: os Incas e os Índios. Os Índios aqui neste lado, nesta margem do lago, e os Incas do outro lado desta cordilheira.
- Mas, Amanto, – objetou Neiva – você disse que estas tribos foram jogadas? Não entendi bem isso!
- Sim, Neiva, elas foram virtualmente jogadas, num perfeito planejamento civilizatório desta parte do planeta.
- Se foram assim “jogadas”, Amanto, isso quer dizer que foram trazidas, não é verdade? Nesse caso, elas foram trazidas de onde?
- De Capela, Neiva, de onde vêm todos os habitantes da Terra.
- Todos? Amanto, quer dizer que nós, que povoamos a Terra, somos todos oriundos de Capela?
- Claro, minha filha. Já lhe foi dito que Capela é o princípio e o fim do Homem na Terra. Aqui só encarnam e reencarnam espíritos vindos de lá, também chamado Nicho de Deus. O meu planeta é o responsável pelo Homem na Terra. A Terra só responde pelos seus atos e os espíritos que aqui chegam vão e voltam tantas vezes quanto for preciso.”
- Esses espíritos, Neiva, foram preparados em Capela, durante muito tempo. Neles foi destilado, dia a dia, o anseio evolutivo, o desejo de realização, e despertada a vontade de colaboração na obra de Deus. Eles aprenderam a história da Terra, seu papel no conjunto planetário, e se prepararam para o estabelecimento de uma nova civilização neste planeta. A idade física da Terra se contava em termos de bilhões de anos, e muita coisa já havia acontecido antes. Isso, porém, não era de seu domínio mental, pois assim o exigia a didática divina. Só é dado ao Homem saber aquilo que é necessário a cada etapa de sua trajetória. O impulso criativo e realizador reside exatamente no terreno entre o conhecido e o desconhecido de cada ser. Assim estavam esses espíritos quando vieram para a Terra. Isso aconteceu 32 mil anos atrás, 30 mil anos antes da vinda do Cristo Jesus.
Duas dessas tribos deixaram caracteres mais marcantes: os que, mais tarde, chamaram-se Incas, e os posteriormente conhecidos como Hititas. Outra tribo que, também, teve muita importância nos acontecimentos, foi a dos Índios, cujo núcleo foi iniciado aqui, nas margens deste lago. Cedo, eles adentraram para Leste, em direção ao Atlântico, e para o Norte, na rota do Amazonas.
- Mas, Amanto, ao que parece, essa tribo de que você está falando, não teve grande projeção. A gente nunca ouviu falar de civilização aqui, no Brasil, e quando os portugueses chegaram, aqui só havia mesmo índios em estado primitivo. Como se explica isso?
- Neiva, é preciso lembrar que estamos falando de um longo período de tempo da Terra, em termo de centenas de séculos! Sim, Neiva, aqui houve e floresceram grandes acontecimentos civilizatórios. Só que, desde muito cedo, esta região, principalmente o território que veio a constituir o Brasil, ficou sendo a reserva espiritual do futuro. Todas as precauções foram tomadas para que aqui se desenvolvessem certas características espirituais, que permitissem o recomeço de novos ciclos. Digamos que a América Ocidental, particularmente o Brasil, tenha sido considerado o celeiro do futuro. Aqui, Neiva, tem sido o berço de grandiosas missões, e as relações de seus habitantes com os Mestres têm sido muito intensas.
- Mas, Amanto, como é que isso passou desapercebido, não tendo sido registrado?
- Neiva, toda elaboração espiritual exige silêncio e recolhimento. Enquanto outros povos se lançavam à conquista do mundo físico, na busca do poderio material, domínio de seus vizinhos, lances heróicos e construções monumentais, as tribos desta região se aconchegavam na floresta amena, nas facilidades do clima suave e abundância da natureza. Por isso, digamos que tudo aqui permaneceu propositadamente oculto, ou melhor, quase tudo... Mas foi isso, Neiva, que permitiu o florescimento atual. Repare como tudo, na civilização brasileira, tem algo diferente. Veja como é marcante a capacidade do seu povo em absorver os que vêm de fora, sem hostilidade, e como o estrangeiro se adapta depressa. Repare na religiosidade natural, sem a rigidez dogmática. Repare na ausência de conflitos bélicos mais contundentes e repare, também, na vivacidade natural do seu povo. Repare em tudo isso, Neiva, e você irá compreender o que aqui se passa e se passou. Mesmo atualmente, minha filha, muita coisa está acontecendo que ninguém, ou quase ninguém, sabe. Na intimidade do território do Brasil, tribos inteiras mantêm contatos com os Mestres Capelinos, e grandes missionários trabalham em consonância com os planos de Capela.
A ilha de Omeyocan
Na realidade, eles não abandonaram o continente, pois mantinham pontos de irradiação, onde concentravam suas realizações. Nesses pontos foram construídos fabulosos monumentos, planejados cuidadosamente para as finalidades a que se destinavam. Com seu poder de levitação mecânica, usando processos físicos de forças magnéticas, eles podiam movimentar, com relativa facilidade, grandes blocos de pedra, qualquer que fosse sua natureza. Tais pedras eram lavradas por processos químicos e trabalhadas com ciência e arte. Sua arquitetura era orientada em função de um relacionamento, visando a recepção de forças do planeta-mãe e de outros corpos do Sistema Solar. Tais finalidades estão sendo estudadas, hoje, em função de seu aspecto religioso, e isso se constitui em mais um triste engano antropomorfo.
- Sim, Neiva, a presença da mão de Deus. E o que é a mão Dele senão a presença constante dos Mestres, os grandes Orixás que orientam a fenomenologia mediúnica, tão característica de nossa Corrente? E assim, Neiva, acontece em todos os setores de atividades do mundo. Existe, sempre, a presença deliberada. Apenas, o orgulho humano, o egocentrismo exacerbado, é que não deixa perceber isso. Felizmente, os Planos Divinos não ficam na dependência da percepção da sua forma de agir. Pouco importa, para os Mestres, que os Homens percebam ou não sua ação na Terra. Na verdade, isso fica reduzido a uma questão de foro íntimo, de cada ser humano, individualmente. Cada um vê a mão de Deus à sua maneira. Essa despreocupação com o reconhecimento das atividades dos emissários do Alto é porque os Mestres sabem que, tão pronto o espírito desencarna e consegue chegar a certos planos, logo se conscientiza e fica sabendo.
- As pirâmides, Neiva, eram centros de manipulação de energias, verdadeiras usinas de força. Ali se concentravam os grandes cientistas para a conjugação de suas forças psíquicas, como hoje se reúnem os médiuns nos templos iniciáticos. Ali se concentravam os conhecimentos e a documentação dos planos planetários, os instrumentos básicos e os meios de comunicação. O grande Jaguar era um especialista na construção de pirâmides. Ao perceber que o fim de Omeyocan se aproximava, ele deslocou-se para o Egito e lá emprestou sua colaboração aos Orixás responsáveis por aquela área. Com sua química, eles decompunham as rochas e as moldavam de acordo com as necessidades. Possuíam prensas com as quais moldavam grandes blocos e tijolos. Por processos eletromagnéticos, eles vitrificavam as superfícies e movimentavam os blocos gigantescos, com a mesma facilidade como os pedreiros atuais movimentam tijolos.
Os aprendizes de feiticeiro
- Mas você não pode dizer que eles não trabalhavam! Se assim fosse, como é que poderiam ter construído aqueles majestosos monumentos, que até hoje estão de pé?
- Tais monumentos não foram feitos com o trabalho braçal. Isso é um engano que os cientistas cometem, ao interpretá-los em termos da atual capacidade humana e devido ao desconhecimento das técnicas empregadas naquele tempo. As teorias atuais se ressentem de lógica. A confusão ainda é maior devido à interpretação religiosa que se dá, atualmente, aos fatos, ou melhor, somente religiosa. É preciso unir as duas coisas, os atos psicofísicos e as finalidades do espírito, para se ter uma idéia mais precisa. Já lhe disse que não só os monumentos como, também, as cidades, foram feitos mediante processos fisioquímicos e forças magnéticas. Os construtores eram os nobres, os sacerdotes e os especialistas nas várias artes e ciências, principalmente os astrônomos. O povo mesmo, as massas daqueles tempos, era apenas espectador. Aliás, isso pode ser facilmente verificado nos episódios registrados em épocas mais recentes, como, por exemplo, no Século XVI da era atual. Toda a classificação sociológica dos povos antigos demonstra, sempre, essa defasagem entre os círculos dominadores e as massas.
- Mas, Amanto, isso faz surgir uma indagação: por que, realmente, eles se mudavam e abandonavam suas cidades? Pelo que ouvi um professor de História dizer, isso constitui um dos maiores mistérios dessas civilizações.
- Devido à degenerescência da natureza em torno deles, dado o abuso das forças nobres como o magnetismo, a fissão atômica e a fisioquímica em geral. Essas forças provocavam alterações na coesão molecular das coisas vivas e, com isso, seu enfraquecimento. As plantas e os animais morriam com facilidade, enquanto os seres humanos se tornavam apáticos e preguiçosos. Isso explica, em parte, a derrota desses povos diante dos espanhóis, numericamente inferiores, e as humilhações sofridas diante dos invasores. A história dos Astecas demonstra isso claramente.
- Amanto, – pergunto ela – e as pirâmides? Explique melhor sobre elas.
- Sim, explico. O grande Jaguar, o Tumuchy, era um cientista, conhecedor profundo da fisioquímica, e, com sua chalana, ele viajou para o Egito e outros pontos do planeta. Ele trabalhava com maestria o cobre e seus compostos e, com isso, ensinou a fundir grandes tubos e utensílios de metal, que eram usados em vários pontos da Terra. Isso permitiu o florescimento de núcleos tecnologicamente avançados, sendo um deles localizado na região coberta, atualmente, de gelo, que correspondem ao Pólo Norte e à Sibéria. O degelo dessa região, agora começando, vai revelar tudo isso. Mas, foi no Egito que teve início a conscientização da realidade humana. Observe a história dos egípcios, e verá as transformações básicas que ali tiveram lugar.
- E essas máquinas, esses tubos, ainda existem?
- Sim, são coisas recentes, de cinco ou seis mil anos passados. Sob a areia dos desertos e no fundo lamacento do Nilo, encontram-se objetos que irão espantar os cientistas de hoje, quando forem encontrados.
- Não, se você se refere ao dilúvio como diz a lenda. Na verdade, as catástrofes sísmicas e os degelos já fizeram imensas inundações e afundamentos de terras. Muitas regiões da Terra foram submergidas e outras emergiram. Mas, esses foram fenômenos localizados, e não gerais. A idéia do geral se deve ao fato do conceito de mundo como sendo apenas a região onde o fato foi registrado.
- E agora, o mundo vai ser inundado?
- Apenas parcialmente, como já ocorreu no passado. Desta vez serão submergidos vinte e um países, que desaparecerão totalmente.
- Amanto, o que podemos fazer ou, então, deixar de fazer para evitar tantas perdas?
- O que o Homem pode fazer é se compenetrar de si mesmo, da sua situação de espírito em caminho, e acomodar sua mente às coisas do transcendente. As catástrofes e os acontecimentos planetários pouca diferença fazem ao indivíduo. Para aqueles que já vão desencarnando nos desastres e nas doenças incuráveis, o fim já chegou, embora muitos continuem, talvez, até os reajustes finais.
A serpente morde o rabo
O espírito tem a criação intrínseca no ser âmago, pois traz a marca de Deus, está mais próximo da Eternidade. A alma traz a marca do criado, do transitório, da elaboração transformista e suas marcas tendem a se apagar. É por isso, Neiva, que não temos quase provas palpáveis dessas civilizações. Se houvesse predominado a tônica espiritual, o tempo dos homens não seria contado em termos de anos, mas, sim, em milênios. Você pode comparar bem isso na sua época. Veja o Cristianismo como é atual, dois mil anos depois de Jesus, e observe o pensamento humano nas suas várias nuanças. Enquanto o primeiro se manifesta sensível, independente das elaborações psicológicas, as criações humanas são imperfeitas e dependentes de uma porção de fatores para poder exercer sua influência. É por isso que a história humana só é registrada oficialmente de uns cinco ou seis mil anos para a frente. Esse registro depende de fatores físicos e psicológicos. Os monumentos das civilizações mais antigas já viraram pó! As coisas que foram preservadas são poucas e, talvez, o tenham sido apenas para a revelação final, para que os atuais espíritos tenham idéia da sua antigüidade.
- Quero dizer, Neiva, que esses espíritos somos nós, são vocês e são os que já habitam outras paragens. Sim, Neiva, essa é a razão do presente relato, dessas revelações. Tudo o que falei até agora se refere a nós mesmos e a vocês. Queremos que você encerre este livro e comece outro, que irá se chamar “De Esparta a Brasília”. Nele registraremos a trajetória de alguns espíritos escolhidos, desde esses tempos até os tempos atuais. Talvez, em alguns casos, nos reportemos, até mesmo, a situações desses espíritos anteriores a Esparta.
Mensagem final
- Mas, Amanto, – atalhou Neiva – se o Cristianismo veio resolver o problema, como se explica a situação atual, com toda essa barbaridade, guerras e injustiças sociais?
- Apenas por não ter se completado, ainda, o processo. Daqui para diante é que veremos o triunfo do espírito, a realização final do ciclo redentor. Afinal, Neiva, o que são dois mil anos diante dos milênios anteriores? Não se esqueça, filha, de que não se tratava, apenas, de equilibrar a população encarnada do mundo que, por sinal, era muito pequena quando o processo teve início. Tratava-se, realmente, de proporcionar a libertação de milhões de espíritos dos planos próximos à superfície, e isso vem se efetuando sem interrupção. Cada vez mais o sistema se aperfeiçoa em todos os planos. As Casas Transitórias funcionam com eficiência, e as falanges das sombras vão sendo reformadas pela luz do Amor, da Tolerância e da Humildade. A densidade do etérico terrestre vai diminuindo, enxertada pela luz física do mundo mediúnico, de um lado, e pela presença das falanges de Capela, do outro. Espíritos tenebrosos, acrisolado, há milênios, nas sombras. Vão sendo desalojados e lançados na Terra física. É por isso, Neiva, que o mundo se apresenta tão cheio de contradições, de indivíduos enlouquecidos e de obsessores tão terríveis. Assim o exige o reajuste final, os últimos estágios de um drama que começou há milênios. Mas você pode perceber que, em meio a provas tão terríveis e tragédias imensuráveis, o processo redentor funciona sem parar. Enquanto o mundo se degladia e se destrói, espíritos evoluídos e altamente cristianizados trabalham sem cessar, consolando, redimindo e abrindo novas perspectivas aos espíritos sofridos. Essa é a beleza e a grandiosidade dos tempos atuais. Dos sete pontos de irradiação partem as luzes que iluminam as consciências e preparam os espíritos para a caminhada de retorno. Em meio ao sofrimento, a sensibilidade aumenta, dia a dia, enquanto a proximidade do fim aguça a ansiedade do encontro com a realidade. Aos poucos, as máscaras vão caindo e, com elas, caem as falsas concepções. Mas, tudo tem uma relação direta, cada vida se alimenta das raízes do seu passado e floresce de acordo. Vamos, Neiva, vamos escrever “De Esparta a Brasília” e traçar os perfis dos velhos Equitumans nas suas vidas atuais, principalmente daqueles que habitam um dos sete pontos de irradiação, que se chama Brasília!
Nenhum comentário:
Postar um comentário