ADÃO E EVA
Compreendemos, afinal, que Adão e Eva constituem uma lembrança dos espíritos
degredados na paisagem obscura da Terra, como Caim e Abel são dois símbolos para a
personalidade das criaturas,"
Sim; realmente, Adão representa a queda dos espíritos capelinos neste mundo de
expiação que é a Terra, onde o esforço verte lágrimas e sangue, como também no sagrado
texto está predito:
- "Maldita é a Terra por causa de ti - disse o Senhor; com dor comerás dela todos os
dias de tua vida...
No suor do teu rosto, comerás o seu pão até que te tornes à Terra."
Refere-se o texto aos capelinos, às sucessivas reencarnações que sofriam para
resgate de suas culpas.
SETH - O CAPELINO
Vimos, no capítulo dez, qual a significação simbólica dos primeiros filhos de Adão
- Caim e Abel, e diremos agora que, do ponto de vista propriamente histórico ou
cronológico, a descida dos exilados é representada na Gênese pelo nascimento de Seth - o
terceiro filho - que Adão, como diz o texto: "gerou à sua semelhança, conforme sua
imagem".
Isto é: aquele que com ele mesmo, Adão, se confunde, é-lhe análogo.
Se Adão, no símbolo, representa o acontecimento da descida, a queda das legiões de
emigrados, e os dois primeiros filhos, o caráter dessas legiões, Seth, no tempo, representa a
época do acontecimento, época essa que no próprio texto está bem definida com o seguinte
esclarecimento:
- "Os homens, então, começaram a evocar o nome do Senhor."
Isso quer dizer que a geração de Seth é a de espíritos não já habitantes da Terra - os
das raças primitivas, bárbaros, selvagens, ignorantes, virgens ainda de sentimentos e
conhecimentos religiosos - mas outros, diferentes, mais evoluídos, que já conheciam seus
deveres espirituais suas ligações com o céu; espíritos já conscientes de sua filiação divina,
que já sabiam estabelecer comunhão espiritual com o Senhor.
DA DESCIDA À CORRUPÇÃO
Isto quer dizer que os degredados - aqui mencionados como Filhos de Deus -
encarnando no seio de habitantes selvagens do planeta, não levaram em conta as melhores
possibilidades que possuíam, como conhecedores de uma vida mais perfeita e, ao
desposarem as mulheres primitivas, adotaram seus costumes desregrados e deixaram-se
dominar pelos impulsos inferiores que lhes eram naturais.
Chegaram numa época em que as raças primitivas viviam mergulhadas nos instintos
animalizados da carne e, sem se guardarem, afundaram na impureza, não resistindo ao
império das leis naturais que se cumpriam irrevogavelmente como sempre sucede.
Já vimos que a encarnação dos capelinos se deu, em sua primeira fase e mais
profundamente entre os Rutas, habitantes da Lemúria e demais regiões do Oriente, povos
estes que apresentavam elevada estatura, cor escura, porte simiesco e mentalidade
rudimentar.
Assim, pois, a experiência punitiva dos capelinos, do ponto de vista moral,
malograra, porque eles, ao invés de sanear o ambiente planetário elevando-o a níveis mais
altos, de acordo com o maior entendimento espiritual que possuíam, ao contrário
concorreram para generalizar as paixões inferiores, saturando o mundo de maldade e com a
agravante de arrastarem na corrupção os infelizes habitantes primitivos, ingênuos e
ignorantes, cuja tutela e aperfeiçoamento lhes coubera como tarefa redentora.
E, então, havendo se esgotado a tolerância divina, segundo as leis universais da
justiça, sobrevieram as medidas reparadoras, para que a Terra fosse purificada e os espíritos
culposos recolhessem, em suas próprias consciências, os dolorosos frutos de seus desvarios.
OS EXPURGOS REPARADORES
Em conseqüência, o vasto continente da Lemúria, núcleo central da Terceira Raça,
afundou-se nas águas, levando para o fundo dos abismos milhões de seres rudes,
vingativos, egoístas e animalizados.
Este continente, chamado na literatura hindu, antiga Shalmali Dvipa, compreendia o
sul da África, Madagascar, Ceilão, Sumatra, Oceano Índico, Austrália, Nova Zelândia e
Polinésia, foi a primeira terra habitada pelo homem.
Sua atmosfera era ainda muito densa, e a crosta pouco sólida em alguns pontos.
Segundo algumas tradições, o homem lemuriano ainda não possuía o sentido da visão como
o possuímos hoje: havia nas órbitas somente duas manchas sensíveis, que eram afetadas
pela luz, porém sua percepção interna, como é natural, era bastante desenvolvida.
Os lemurianos da Terceira Raça-Mãe eram homens que apenas iniciavam a vida em
corpo físico neste planeta; não possuíam conhecimento algum sobre a vida material, pois
utilizaram corpos etéreos nos planos espirituais donde provinham, com os quais estavam
familiarizados. Desta forma, suas preocupações eram todas dirigidas para esta nova
condição de vida, desconhecida e altamente objetiva.
A Lemúria desapareceu 700 mil anos antes do alvorecer da Idade Terciária.
Sua existência, como muitas outras coisas reais, tem sido contestada e não é
admitida pela ciência oficial, porém, ao mesmo tempo, essa ciência considera um mistério a
existência de aborígines na Austrália, a imensa ilha ao sul do Oceano Índico, tão afastada
de qualquer continente. Esses aborígines são até hoje inassimiláveis ante a civilização,
extremamente primitivos e de cor escura como os próprios seres que habitavam a antiga
Lemúria.
NA ATLÂNTIDA, A QUARTA RAÇA
Os atlantes eram homens fortes, alentados, de pele vermelha-escura ou amarela,
imberbes, dinâmicos, altivos, e excessivamente orgulhosos.
Por outro lado, desenvolveram faculdades psíquicas notáveis para a sua época, que
passaram a aplicar aos serviços dessas ambições inglórias; e, de tal forma se desenvolveram
suas dissensões, que foi necessário que ali descessem vários Missionários do Alto para
intervir no sentido de harmonizar e dar diretrizes mais justas e construtivas às suas
atividades sociais.
AS ENCARNAÇÕES DO CRISTO
Segundo consta de algumas revelações mediúnicas, ali encarnou duas vezes, sob os
nomes de Anfion e de Antúlio, o Cristo planetário, como já o tinha feito, anteriormente, na
Lemúria, sob os nomes de Numú e Juno, e como o faria, mais tarde na Índia, como Krisna e
Budha e na Palestina como Jesus.
OS ARQUIVOS DA HISTÓRIA
Os arquivos da história humana não oferecem aos investigadores dos nossos dias
documentação esclarecedora e positiva desse acontecimento, como, aliás, também sucede e
ainda mais acentuadamente, em relação à Lemúria; por isso é que esses fatos, tão
importantes e interessantes para o conhecimento da vida planetária, estão capitulados no
setor das lendas.
Como não temos espaço nesta obra para expor a questão detalhadamente, nem esse
é o nosso escopo, porque não desejamos sair do terreno espiritual, limitamo-nos unicamente
a transcrever um documento referente à Atlântida, que reforça nossa desvaliosa exposição:
é um manuscrito denominado "O Troiano", descoberto em escavações arqueológicas do
país dos Toltecas, ao sul do México e que se conserva, segundo sabemos, no "British
Museum" de Londres.
--- Os homens do Cro-Magnon eram do tipo atlante, muito diferentes de todos os
demais, e só existiram na Europa ocidental na face fronteira ao continente desaparecido,
mostrando que dali é que vieram.
O idioma dos bascos não tem afinidade com nenhum outro da Europa ou do Oriente
e muito se aproxima dos idiomas dos americanos aborígines.
Os crânios dos Cro-Magnons são semelhantes aos crânios pré-históricos
encontrados em Lagoa Santa, Minas Gerais (Brasil).
Há pirâmides semelhantes no Egito e no México, e a mumificação de cadáveres
praticada no Egito antigo o era também no México e no Peru.
Também se verificou que o fundo do Atlântico está lentamente se erguendo: a
sondagem feita em 1923 revelou um erguimento de quatro quilômetros em 25 anos, o que
concorda com as profecias que dizem que a Atlântida se reerguerá do mar para substituir
continentes que serão, por sua vez, afundados, nos dias em que estamos vivendo.
Enfim, uma infinidade de indícios e circunstâncias asseveram firmemente a
existência deste grande continente, onde viveu a Quarta Raça, entre a Europa e a América.
Estes dados, quanto às datas, não podem ser confirmados historicamente, porém,
segundo a tradição espiritual, entre o afundamento da Lemúria e da Grande Atlântida houve
um espaço de 700 mil anos.
Os atlantes possuíam um profundo conhecimento das Leis da Natureza, mormente
das que governam os três elementos, terra, água e ar. Eram, também, senhores de muitos
segredos da metalurgia. As suas cidades eram ricas em ouro e alguns de seus palácios eram
feitos desse metal. Suas sub-raças espalharam-se por todos os países do mundo de então.
Cultivavam a magia negra e utilizavam-se grandemente dos elementais e de outros seres do
submundo.
Não se pode confundir Lemúria com Atlântida; ambos os continentes soçobraram,
mas o período decorrido entre as duas catástrofes foi de cerca de 700 mil anos.
Floresceu a Lemúria e terminou a sua carreira no espaço de tempo que antecedeu a
madrugada da idade eocene, pois a sua raça foi a terceira. Contemplai as relíquias dessa
nação, outrora tão grandiosa, em alguns dos aborígines de cabeça chata que habitam a vossa
Austrália.
Assim, com estes acontecimentos terríveis e dolorosos, extinguiu-se a Quarta Raça
e abriu-se campo às atividades daquela que a sucedeu, que, sobre todas as demais, foi a
mais importante e decisiva para a incipiente civilização do mundo.
A QUINTA RAÇA
Com a chegada dos remanescentes da Atlântida, os povos Hiperbóreos ganharam
forte impulso civilizador e, após várias transformações operadas no seu tipo fundamental
biológico, por efeito do clima, dos costumes e dos cruzamentos com os tipos-base, já
previamente selecionados pelos auxiliares do Cristo, conseguiram estabelecer os elementos
etnográficos essenciais e definitivos do homem branco, de estatura elegante e magnífica.
Esses homens de cabelos vermelhos, olhos azuis, vieram do norte, através de
florestas iluminadas por auroras boreais, acompanhados de cães e de renas, comandados
por chefes temerários e impulsionados por mulheres videntes.
Como se vê, a Quinta Raça foi a última, no tempo, e a mais aperfeiçoada, que
apareceu na Terra, como fruto natural de um longo processo evolutivo, superiormente
orientado pelos Dirigentes Espirituais do planeta.
Agora, podemos apresentar um esboço das cinco raças que viveram no mundo,
antes e depois da chegada dos capelinos.
São as seguintes:
1ª ) A raça formada por espíritos que viveram no astral terreno, que não possuíam
corpos materiais, e, por isso, não encarnaram na Terra.
Característica fundamental: "astralidade".
2ª) A raça formada por espíritos já encarnados, que desenvolveram forma, corpo e
vida própria, conquanto pouco consistentes.
Características: "semi-astralidade".
3ª) Raça Lemuriana - Estabilização de corpo, forma e vida, e acentuada eliminação
dos restos da "astralidade inferior". Com esta raça começaram a descer os capelinos.
Não se conhecem as sub-raças.
4ª ) Raça Atlante - Predomínio da materialidade inferior. Poderio material.
Grupos étnicos: Romahals, Travlatis, Semitas, Acádios, Mongóis, Turanianos e
Toltecas.
5ª) Raça Ariana- Predomínio intelectual. Evoluiu até o atual quinto grupo étnico, na
seguinte ordem: indo-ariana, acadiana, caldaica, egípcia, européia.
O DILÚVIO BÍBLICO
Por estes relatos diferentes se verifica que todos os povos do Oriente conheciam o
fato e se referiam a um dilúvio ocorrido nessa vasta região que vai das bordas do
Mediterrâneo, na Ásia Menor, ao centro norte do continente asiático.
Em alguns desses relatos as semelhanças são flagrantes e dão a entender que, ou o
conhecimento veio, promanando de uma mesma fonte informativa, ou realmente ocorreu,
atingindo toda essa região e deixando na consciência coletiva dos diferentes povos que a
habitavam a recordação histórica, para logo ser transformada em tradição religiosa.
Por outro lado, há vários contestadores da veracidade do acontecimento, que se
valem de diferentes argumentos, entre os quais este: de que chuvas, por mais copiosas e
prolongadas que fossem, não bastariam para inundar a terra em tão extensa proporção,
cobrindo "altos montes", como diz Moisés, ou "elevando-se até o céu", como diz a tradição
chinesa.
Atenda-se, porém, para o fato de que o estilo oriental de narrativas é sempre
hiperbólico; como também note-se que os testemunhos de alguns outros povos, como, por
exemplo, o Persa, não vão tão longe em tais detalhes, e os egípcios, que estão situados tão
próximos da Palestina, são ainda mais discretos afirmando unicamente que a terra foi
submergida.
Atentando para as narrativas hebraica, hindu, e sumério-babilônica, partes das quais
acabamos de transcrever, verifica-se que em todas, entre outras semelhanças, existe a
mesma notícia de uma família que se salva das águas, enquanto todos os demais seres
perecem.
Com a descrição do dilúvio asiático e de acordo com a divisão que adotamos para a
história do mundo, como consta do capítulo III, aqui fica encerrado o Primeiro Ciclo, o
mais longo e difícil para a evolução planetária, que abrange um período de mais de meio
bilhão de anos.
OS QUATRO POVOS
Após essas impressionantes depurações, os remanescentes humanos agrupados,
cruzados e selecionados aqui e ali, por vários processos, e em cujas veias já corria,
dominadoramente, o sangue espiritual dos Exilados da Capela, passaram a formar quatro
povos principais, a saber: os Árias, na Europa; os Hindus, na Ásia; os Egípcios, na África e
os Israelitas, na Palestina.
Os ÁRIAS, após a invasão da Índia, para aonde se deslocaram, como vimos, sob a
chefia de Rama, aí se estabeleceram, expulsando os habitantes primitivos, descendentes dos
Rutas da Terceira Raça, e organizando uma poderosa civilização espiritual que, em seguida,
se espalhou por todo o mundo.
Deles descendem todos os povos de pele branca que, um pouco mais tarde,
conquistaram e dominaram a Europa até o Mediterrâneo.
Os HINDUS se formaram de cruzamentos sucessivos entre os primitivos habitantes
da região, que fecundamente proliferaram após as arremetidas dos árias para o Ocidente e
para o sul, e dos quais herdaram conhecimentos espirituais avançados e outros elementos
civilizadores.
Os EGÍPCIOS - os da primeira civilização - detentores da mais dinâmica sabedoria,
povo que, como diz Emmanuel: "Após deixar o testemunho de sua existência gravado nos
monumentos imperecíveis das pirâmides, regressou ao paraíso da Capela."
E finalmente os ISRAELITAS, povo tenaz, orgulhoso, fanático e inamovível nas
suas crenças; povo heróico no sofrimento e na fidelidade religiosa, do qual disse o Apóstolo
dos Gentios:
- "Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; porém, vendo-as
de longe, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na Terra."
Povo que até hoje padece, como nenhum outro dos exilados, por haver desprezado a
luz, quando ela no seu seio privilegiado brilhou, segundo a Promessa, na pessoa do Divino
Senhor - o Messias.
Como disse o apóstolo João:
- "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandeceu nas trevas,
e as trevas não a receberam."
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